Sexta-feira da Semana II da Quaresma - #10
Descrição
Olá, meu irmão, minha irmã. A paz a vocês que nos acompanham. Sexta-feira é o dia que a Igreja nos convida a parar diante da cruz, não para olhar de longe, mas para nos aproximar. E hoje nós somos convidados a entrar na ferida aberta do Coração de Jesus e a conhecê-la por dentro.
A Palavra nos conduz ao centro do mistério e nos é dito assim: "Um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e imediatamente saiu sangue e água." Jesus já estava morto, já tinha entregue tudo. Mesmo assim, o seu coração foi aberto, como se o amor dissesse: "Ainda não basta. Ainda quero mais. Ainda quero que vejam até onde cheguei."
No mundo em que vivemos, aprendemos a nos defender, a fechar o coração, a levantar muros. E Jesus faz o contrário: Ele abre o peito e expõe o lugar mais sensível. Permite ser ferido até o fim. E Santo Afonso nos lembra que o coração é a raiz da vida, de onde nascem os desejos, as escolhas, o bem e o mal. É exatamente aí que Jesus quis ser atingido, e não foi por acaso. Ele quis tocar a raiz do nosso pecado, da nossa dureza, da nossa indiferença.
Hoje não somos nós que seguramos uma lança de ferro. Mas quantas vezes atravessamos o coração de Cristo com a frieza, com o egoísmo, com a pressa, com a falta de tempo para Deus, com relações superficiais, com escolhas que ferem o amor? Quantas vezes preferimos não amar para não sofrer? E cada recusa ao amor é uma nova ferida. Veja, vou repetir: cada recusa ao amor é uma nova ferida.
A lança abriu o lado de Jesus e dali saiu sangue e água. Não saiu acusação. Não saiu condenação. Saiu vida. Saiu misericórdia. Saiu cura. Saiu a Igreja. Saiu o seu batismo, o batismo que nos purifica, e a Eucaristia que nos sustenta.
O mundo moderno conhece bem a ferida, mas não sabe onde curá-la. Tentamos anestesiar a dor com distrações, com consumo, com ruídos, com prazer rápido. Mas o Coração de Jesus permanece aberto como único lugar onde a ferida humana encontra descanso.
A cruz tremeu quando o lado de Jesus foi aberto. O céu e a terra se tocaram naquele instante. E ali, no silêncio daquele golpe, Jesus dizia sem palavras: "Entra! Há espaço para você. Há espaço para a sua história, para as suas quedas, para o que você não consegue resolver sozinho."
Entrar na brecha do Coração de Jesus é permitir que Ele nos conheça por dentro, exatamente como somos, sem máscaras. É deixar que o amor cure o que a culpa não resolve. É aceitar que só um coração ferido pode curar corações feridos.
Hoje, diante do coração transpassado, não somos chamados a explicar nada, apenas a permanecer. A cruz não pede discurso, pede entrega. Ali aprendemos que o amor verdadeiro não foge da dor, mas a atravessa.
Que o Coração ferido de Jesus nos acolha. Que o sangue e a água que jorraram do seu lado lavem as nossas indiferenças, curem a nossa dureza e nos devolvam um coração capaz de amar. E que Maria, que sentiu no próprio peito a dor daquela lança, nos ensine a permanecer aos pés da cruz até que o amor vença tudo.
Sobre vós desça a bênção do Deus Onipotente: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém