Sábado da Semana III da Quaresma
Descrição
Olá, meu irmão, minha irmã. Sejam todos bem-vindos a este nosso momento de oração e meditação.
Em meio às preocupações do dia, Deus nos concede esta pausa para que o nosso coração volte àquilo que é essencial. E a Quaresma é exatamente isso: um tempo de voltar o coração para Deus e reordenar os nossos afetos, os afetos da alma. É redescobrir o amor que talvez tenha se enfraquecido ao longo da caminhada.
Hoje nós queremos meditar sobre a presença de Maria em nossa vida, a partir do texto de Eclesiástico 24, versículo 24.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Assim nos diz o livro do Eclesiástico:
“Eu sou a Mãe do belo amor.”
A tradição espiritual da Igreja sempre contemplou nessa expressão um retrato da Virgem Maria. Ela é chamada a Mãe do belo amor porque, em seu coração, o amor de Deus foi vivido de forma plena, pura e constante.
Santo Afonso nos ajuda a compreender algo extraordinário sobre o coração de Maria. Enquanto os santos, ao longo do dia, realizam muitos atos de amor a Deus, Maria viveu de modo ainda mais profundo: toda a sua vida foi um único e contínuo ato de amor, e o seu coração estava permanentemente voltado para Deus.
Maria trabalhava, caminhava, servia, cuidava da casa e enfrentava as dificuldades da vida. Mas nada disso diminuía o amor que ardia dentro dela. Pelo contrário: cada gesto, cada silêncio, cada sacrifício era expressão desse amor.
Isso nos faz pensar na nossa própria vida. Vivemos em um tempo em que o coração humano se dispersa facilmente. Somos cercados por muitas vozes, muitas imagens e muitas distrações. O mundo nos empurra constantemente para fora de nós mesmos: notícias, redes sociais, preocupações, correria.
E, sem perceber, o nosso coração vai ficando dividido, cansado e fragmentado.
Quantas vezes dizemos que amamos a Deus, mas Ele ocupa apenas alguns minutos do nosso dia? E quantas vezes a fé se torna apenas um costume, enquanto o coração se apega a tantas outras coisas?
Maria nos ensina que amar a Deus não é apenas repetir palavras, mas orientar toda a vida para Ele. O seu coração não estava dividido. O seu amor não era ocasional. Deus era o centro de tudo.
Santo Afonso também nos recorda que Maria deseja exatamente isso de seus filhos: que amemos a Jesus. Não existe maior alegria para a Mãe de Deus do que ver uma alma aproximar-se do coração de seu Filho.
Por isso, um dia ela disse a uma santa estas palavras simples e profundas:
“Se queres conquistar o meu amor, ama o meu Filho.”
É como se Maria dissesse hoje a cada um de nós:
“Meu filho, minha filha, não te percas em tantas coisas. Ama a Jesus. Volta o teu coração para Ele.”
Talvez alguém que nos escuta agora perceba que o seu amor a Deus se esfriou. Talvez a oração tenha se tornado pesada. Talvez o coração esteja distraído, ocupado demais, cheio de preocupações e apegos.
Mas há uma grande esperança.
Maria não é apenas o exemplo do amor. Ela também nos comunica esse amor. Os santos gostavam de dizer que quem se aproxima de Maria acaba sendo tocado pelo fogo que arde em seu coração.
Ela é, como dizia Santa Catarina de Sena, portadora do fogo do amor divino. Que expressão bonita.
Por isso, quando sentimos o coração frio, quando percebemos que a fé perdeu intensidade, o caminho não é desistir nem desanimar. O caminho é aproximar-se de Nossa Senhora e dizer com simplicidade:
“Mãe, ensina-me a amar Jesus.
Mãe, acende de novo o meu coração.”
Maria fez isso nas bodas de Caná, quando percebeu que faltava vinho. Intercedeu silenciosamente junto a Jesus.
Hoje talvez falte algo ainda mais profundo: em muitas vidas falta o amor de Deus. E Maria continua dizendo a seu Filho: “Eles não têm mais amor.”
E Jesus escuta a voz de sua mãe.
Por isso, nesta caminhada quaresmal, aproximemo-nos mais de Maria. Falemos com ela com mais simplicidade. Peçamos que conduza o nosso coração ao coração de Cristo.
Porque quem se deixa guiar por Maria aprende, pouco a pouco, aquilo que é o segredo da santidade: amar a Deus acima de todas as coisas.
Como canta Flávio Vitor Júnior, um jovem cantor católico:
“Eu vou amar Maria, porque quanto mais Maria, muito mais Jesus.”
Que a Virgem Santíssima, a Mãe do Belo Amor, toque hoje o meu, o seu e o nosso coração, e acenda nele ao menos uma pequena chama — uma chama que, com a graça de Deus, possa crescer, iluminar a nossa vida e nos conduzir até o amor eterno.
Sobre vós desça a bênção do Deus onipotente: Pai, Filho e Espírito Santo.
Amém.