Quinta-feira da Semana III da Quaresma - #16
Descrição
Olá, meus irmãos e minhas irmãs. Sejam bem-vindos a este nosso momento de oração e de silêncio interior.
Nesta sexta-feira da Quaresma, nós somos convidados a contemplar um sinal profundamente comovente do amor de Cristo: o Sagrado Sudário de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Por isso, vamos iniciar bem este nosso momento, traçando sobre nós o sinal da cruz, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A tradição cristã sempre viu nesse pano sagrado uma memória silenciosa da Paixão. Nele não aparece um Cristo glorioso, não aparece o Cristo dos milagres, nem o Cristo do Tabor resplandecente. O que nós vemos ali, naquele pano sagrado, é o rosto marcado pelo sofrimento, o corpo ferido e o Homem das dores.
E isso já nos diz algo muito profundo. Porque Jesus poderia ter deixado gravada para nós uma imagem de um momento glorioso da sua vida: a multiplicação dos pães, a ressurreição de Lázaro, a luz da transfiguração. Mas não. O que permanece para nós, diante de nós, é a imagem do amor que sofre.
Como nos ensina e recorda Santo Afonso Maria de Ligório, Deus quis que nunca esquecêssemos até onde chega o seu amor. É por isso que Ele deixou a memória do seu corpo ferido, de um rosto desfigurado, de um amor levado até o extremo.
O Sudário, então, nos coloca diante de uma pergunta muito direta: se Cristo nos amou assim, como nós o amamos?
Vou repetir para você: se Cristo nos amou assim, como nós o amamos?
Nós vivemos em um mundo que fala muito de amor, mas sofre pouco por ele. Amamos enquanto é fácil, amamos enquanto não exige renúncia, amamos enquanto não nos custa nada.
Mas veja: o verdadeiro amor sempre passa pela entrega. E o Sudário nos mostra um Cristo que foi ferido por amor. Cada marca naquele corpo é uma palavra silenciosa que nos diz: “Foi por você”.
E aquelas chagas não são apenas sinais de sofrimento. São sinais de um amor que não desistiu de mim e não desiste de você.
Então, quando nós olhamos para aquele rosto marcado, talvez percebamos algo desconcertante: muitas vezes nós também participamos dessa história, não com martelos ou pregos, mas com nossas escolhas.
Cada vez que escolhemos o pecado, sabendo que Deus nos chama para algo melhor; cada vez que preferimos o orgulho em vez do perdão; cada vez que fechamos o coração ao amor de Deus, é como se novamente virássemos o rosto diante daquele que nos amou primeiro.
Mas a contemplação do Sudário não quer nos esmagar de culpa. Ela quer despertar em mim, em você, em nós, algo mais profundo: a gratidão.
Como dizia São Francisco de Sales, cada chaga de Cristo é como uma boca que nos fala. E todas dizem a mesma coisa: “Eis como se ama”.
E aqui está a grande pergunta desta sexta-feira quaresmal: o que nós temos feito com esse amor?
Talvez nós corramos demais. Talvez estejamos ocupados demais. Talvez nossa fé tenha se tornado apenas um costume.
Mas quando paramos diante do Cristo sofredor, algo dentro de nós começa a despertar. Porque aquele rosto desfigurado revela uma beleza que o mundo não entende: a beleza de um amor que se entrega totalmente.
Então percebemos que amar Jesus não significa apenas rezar mais palavras. Significa permitir que o coração seja transformado. Significa aprender a perdoar quando dói, ser fiel quando é difícil, permanecer quando seria mais fácil desistir.
A verdadeira ciência dos santos, dizia Santo Agostinho, consiste em amar Cristo que sofre e sofrer com Ele com paciência.
Veja: não porque o sofrimento seja desejado, mas porque o amor verdadeiro não foge da cruz.
Por isso, nesta sexta-feira, nós contemplamos interiormente o rosto de Jesus: ferido, humilhado e desfigurado, e ao mesmo tempo infinitamente cheio de amor.
E talvez, no silêncio do coração, possamos dizer:
Senhor Jesus, quanto mais ferido vos vejo, mais percebo o quanto sou amado.
Perdoai-me por todas as vezes em que fui indiferente ao vosso amor.
Perdoai-me por ter procurado tantas coisas passageiras e ter esquecido de vós.
Dai-me um coração novo, um coração capaz de amar.
Um coração capaz de permanecer convosco.
Porque, diante do vosso rosto marcado pela cruz, compreendemos finalmente a verdade que transforma a vida: ninguém jamais nos amou como Cristo nos amou.
Sobre vós desça a bênção do Deus onipotente: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.