Segunda-feira da Semana II da Quaresma - #13
Descrição
Olá, meu irmão, minha irmã. Bem-vindo mais uma vez às nossas meditações quaresmais. Hoje, segunda-feira, queremos meditar sobre um coração livre num mundo que não para.
Para bem viver esse momento, vamos traçar sobre nós o sinal da Cruz. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Nós vivemos num mundo de apegos — registrando tudo. Fotografamos a comida antes de saborear, o pôr do sol antes de contemplar, o abraço antes de sentir. Guardamos músicas nos stories, momentos na nuvem, memórias em arquivos que prometem não se perder. Mas enquanto registramos tanto, o coração vai ficando cheio — e vai ficando cansado.
A vida moderna nos ensinou a não perder nada: imagens, curtidas, lembranças. Mas quase não nos ensina a soltar. Temos medo de esquecer, medo de não sermos vistos, medo de não sermos lembrados. E assim, pouco a pouco, o coração vai se prendendo ao que passa, ao que aparece, ao que é aprovado pelos outros.
À luz de Santo Afonso Maria de Ligório, somos convidados a fazer uma pergunta simples e decisiva: o que disso tudo consegue atravessar a morte comigo? As fotos ficam, os registros ficam — a música acaba. O que permanece é apenas aquilo que foi vivido em Deus e por Deus.
Não há pecado em registrar momentos, em guardar lembranças. O perigo está em viver mais para registrar do que para amar, mais para mostrar do que para escutar, mais para aparecer do que para pertencer a Deus. O coração foi criado para o infinito — e se sufoca quando se contenta apenas com fragmentos.
Santo Afonso nos diz ainda que quem morre em paz é quem aprendeu a viver desapegado. Não é abandonar tudo externamente — mas não deixar que nada nos possua por dentro. Quem vive agarrado ao que é passageiro tem medo do fim. Quem vive ancorado em Deus atravessa o fim como quem volta para casa.
E talvez hoje Deus peça algo simples a cada um de nós: menos necessidade de provar o que estamos vivendo e mais coragem de viver a verdade. Menos ansiedade por guardar tudo e mais confiança em entregar tudo. Menos barulho exterior e mais silêncio interior — porque no fim não levaremos registros. Levaremos apenas o amor que conseguimos dar. E esse amor, vivido muitas vezes no escondimento, será suficiente para nos apresentar diante de Deus com o coração em paz.
Que nesta Quaresma aprendamos a soltar o que pesa — para guardar apenas a vida que salva. E esta vida que nos salva tem um nome e tem um rosto. Como diz o Papa Bento XVI: é Cristo.
Que Deus abençoe você e a sua segunda-feira. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.