Quarta-feira da Semana II da Quaresma - #08
Descrição
Irmãos e irmãs, sejam todos muito bem-vindos. Já caminhamos juntos por uma semana de meditações e hoje, nesta quarta-feira, Deus nos convida a parar um instante e escutar uma pergunta que atravessa a vida inteira: qual é a resposta que eu tenho dado ao chamado de Deus?
A palavra que ilumina a nossa meditação hoje é forte e direta: "Ser-vos-á tirado o Reino de Deus e será dado a um povo que produza frutos."
Veja — a vocação é a resposta. Todos fomos chamados — não apenas alguns, não apenas os religiosos ou os sacerdotes, mas todos. Cada um no seu estado de vida, na sua história concreta, no lugar onde está. Deus chama, sempre chama. A grande questão não é se Ele chama, mas se nós escutamos e, sobretudo, se respondemos.
Santo Afonso nos ajuda a entender que a vocação é uma das maiores graças que Deus pode conceder a uma pessoa. Maior do que o sucesso, maior do que o poder, maior do que qualquer conquista humana — ser chamado por Deus é ser convidado a viver com sentido, a dar frutos que permaneçam, a fazer da própria vida um caminho de salvação.
O problema é que muitas vezes nós queremos seguir Deus do nosso jeito. Queremos o Reino, mas sem a cruz. Queremos a salvação, mas sem a mudança. Queremos ouvir a voz de Deus, mas continuamos agarrados às seguranças do mundo, às nossas vontades, aos nossos planos fechados.
E aqui está o alerta de Jesus: quando não respondemos ao chamado, quando adiamos, quando endurecemos o coração, corremos o risco de perder aquilo que nos foi confiado. Não porque Deus seja cruel — mas porque Ele respeita a nossa liberdade. O Reino é dado a quem produz frutos. A graça precisa ser acolhida, cuidada, vivida.
E quantas pessoas vivem inquietas, frustradas, vazias por dentro — não porque lhes falta algo exterior, mas porque estão longe daquilo para o qual Deus as chamou?
Santo Afonso é muito claro neste ponto. Ele diz: Deus quer nos salvar, mas quer nos salvar pelo caminho que Ele escolheu — não pelo caminho que inventamos sozinhos. Que bonito, né?
Quando ignoramos a voz de Deus, vamos perdendo a sensibilidade espiritual. Aquilo que antes incomodava deixa de incomodar. Aquilo que antes era luz vai se apagando — e pouco a pouco a alma entra numa espécie de escuridão interior, onde já não se sabe mais por que se vive.
Por outro lado, quando alguém responde com sinceridade — mesmo com medo, mesmo com limitações —, Deus nunca deixa faltar a graça necessária. Quem escuta a voz do Senhor e a segue encontra, mesmo em meio às dificuldades, uma paz que o mundo não pode dar. Isso me fez lembrar o trecho de uma canção que diz justamente isso: "A paz que eu sempre quis estava no silêncio que eu nunca fiz." Ou seja, quando escutamos essa voz interior.
Hoje, esta meditação não quer nos assustar — ao contrário, quer nos despertar. Deus continua chamando, e Ele não se cansa de esperar. Mas Ele espera uma resposta. Não amanhã, não quando tudo estiver resolvido — mas hoje, agora.
Qual é a sua vocação hoje? Talvez seja ser um pai mais presente, uma mãe mais paciente, um jovem mais fiel, um cristão mais coerente — alguém que reze mais, que perdoe mais, que viva com mais verdade.
Deus fala no silêncio do coração. E Ele espera que possamos dizer, com humildade e confiança:
Senhor, eis-me aqui. Não sou perfeito, mas quero corresponder ao Teu chamado. Dá-me a força que me falta, sustenta a minha perseverança e não permitas que eu desperdice a graça do Teu chamado.
Que Maria Santíssima, a Mãe da resposta fiel, nos ensine a dizer todos os dias: "Faça-se em mim segundo a Tua palavra." Amém.
Sobre vós desça a bênção do Deus Onipotente: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.