HOMILIA DE DOM WALTER JORGE, BISPO DIOCESANO NA SÉ DA CAMPANHA

No Domingo de Ramos, a Igreja inicia a Semana Santa recordando a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, mas também contempla, já neste dia, o mistério da sua Paixão. Em sua homilia, o bispo destacou o profundo significado do grito de Jesus na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, palavras que retomam o início do Salmo 22.
A reflexão ressaltou que esse grito não deve ser entendido como desespero, mas como oração. Ao pronunciá-lo, Jesus assume plenamente a condição humana, experimentando a dor, o sofrimento e até a sensação de abandono que muitas pessoas também vivenciam em suas vidas. No entanto, mesmo nesse momento extremo, Ele se dirige a Deus como “Meu Deus”, revelando uma confiança que não se rompe.
O bispo explicou ainda que, ao citar o Salmo 22, Jesus recorda uma oração que começa na dor, mas termina na esperança e na vitória. Assim, a cruz não representa o fim, mas faz parte do caminho que conduz à ressurreição. A aparente ausência de Deus não significa abandono, mas um mistério no qual Ele continua presente, sustentando e conduzindo a história.
A homilia convidou os fiéis a reconhecerem que também enfrentam momentos de dificuldade, silêncio e provação, mas que, à luz da fé, são chamados a perseverar. O exemplo de Cristo ensina que é possível manter a confiança em Deus mesmo quando não se sente sua presença.
Por fim, foi reforçado que o Domingo de Ramos abre a porta para a vivência intensa da Semana Santa, tempo em que os cristãos são convidados a caminhar com Cristo no sofrimento, certos de que a cruz não é a última palavra. A vitória de Deus se manifesta na ressurreição, sinal de esperança e vida nova para todos.