DOMINGO DE RAMOS - HOMILIA PADRE ROBERTO.
No Domingo de Ramos, começamos a celebração com alegria, ramos nas mãos e cantos, recordando a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém. Mas, logo em seguida, a liturgia nos conduz a um contraste profundo: saímos da festa e entramos no sofrimento da Paixão. No meio dessa narrativa tão forte, ecoa um grito que atravessa os séculos: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, palavras que retomam o início do Salmo 22.
Esse grito de Jesus na cruz não é um sinal de desespero vazio, mas uma oração. Ele assume plenamente a condição humana, experimentando a dor, o medo e até a sensação de abandono que tantas vezes também sentimos. Quem nunca passou por momentos em que parece que Deus está distante? Quando rezamos e não sentimos resposta, quando enfrentamos dificuldades mesmo tentando fazer o bem, ou quando o coração se enche de tristeza sem explicação? Nesses momentos, o grito de Jesus se torna também o nosso.
No entanto, há algo essencial nessa frase: Jesus diz “Meu Deus”. Mesmo na dor mais profunda, Ele não rompe sua relação com o Pai. Ele continua confiando, mesmo sem sentir consolo. Isso nos ensina que a fé verdadeira não depende apenas de sentimentos, mas de uma confiança que permanece firme até no silêncio.
Além disso, ao citar o Salmo 22, Jesus aponta para algo maior. Esse salmo começa com dor, mas termina em esperança e vitória. Ou seja, a cruz não é o fim da história. O aparente abandono não é a última palavra. Deus transforma o sofrimento em caminho de vida.
Assim, o Domingo de Ramos nos convida a compreender que a vida cristã é feita de contrastes: há momentos de alegria e também de cruz. Mas em todos eles, Deus está presente, mesmo quando parece ausente. Jesus não elimina o sofrimento, mas entra nele conosco e o transforma.
Quando também nós passarmos por momentos de escuridão, somos chamados a continuar dizendo “Meu Deus”, a permanecer na oração e a não desistir. Porque a história não termina na cruz. Depois da dor, vem a vida nova. Depois da Sexta-feira Santa, vem a Ressurreição. E quem permanece fiel, mesmo no silêncio de Deus, experimentará a sua vitória. Amém.